segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Descartado outro suspeito de matar menina Rachel


Rachel e Giovanna, ambas de 9 anos, foram esganadas e violentadas. (Foto: Reprodução)

O até então principal suspeito de ter assassinado a menina Rachel Maria Lobo de Genofre, 9 anos, foi descartado pela polícia. Após quase três meses de investigações, esse homem foi localizado em outro estado.

Para chegar até ele, os policiais cruzaram uma série de informações, a partir do inquérito que investigou a morte de Giovanna dos Reis Costa, também de 9 anos, em Quatro Barras, em abril de 2006.

Feito exame de DNA, que deu negativo, esta é a terceira hipótese de autoria oficialmente afastada pelas autoridades. Rachel foi encontrada morta na madrugada de 5 de novembro, dentro de uma mala, na rodoferroviária de Curitiba.
Uma leitura atenta dos inquéritos dos dois casos justifica o rumo que a polícia deu à atual investigação. No caso Giovanna, este mesmo suspeito foi amplamente citado, com várias evidências que o ligavam ao crime.

Entretanto, naquela época, a delegada Margareth Motta concluiu que a menina foi morta em ritual de magia negra praticado pelos ciganos Vera Petrovitch e o filho dela, Pero Theodoro Petrovitch, com auxílio da ex-mulher de Pero, uma jovem, então com 15 anos, e o pai dela, Renato Michel.

Semelhanças

Os coincidências trouxeram este suspeito para o caso Rachel. A primeira delas é sua profissão: motorista de ônibus interestadual. Ou seja, conhecia bem a rodoferroviária. As vítimas também tinham várias características em comum: a mesma idade e o mesmo perfil - eram bastante comunicativas.

As duas ficaram pelo menos um dia desaparecidas, até serem encontradas sem vida. Os dois corpos foram achados em locais públicos - Giovanna estava num terreno baldio e Rachel na rodoferroviária.

Giovanna foi abandonada dentro de um saco plástico. Já Rachel teve uma sacola plástica amarela amarrada na cabeça e um saco plástico azul envolvendo o corpo, que foi colocado numa mala de viagem. Um lençol e um sobrelençol também foram usados para enrolar o cadáver.
Violência

Outra semelhança é que as duas meninas foram violentadas sexualmente e tinham sinais de esganadura. Giovanna estava nua e com a vagina dilacerada. Rachel foi encontrada só de calcinha. Nos dois casos, o assassino teve o cuidado de não deixar nenhuma pista.

Como o suspeito de agora estava identificado no inquérito do caso Giovanna, a polícia partiu à sua procura. Ele foi interrogado, no fim do ano passado, e submetido a exame de DNA, cujo resultado foi negativo. Por conta disso, a polícia já segue outra linha de investigação.

Impasse em Quatro Barras


O advogado Cláudio Dal-ledone Júnior, que defende os ciganos acusados de matar Giovanna, alega que não há prova material que os incrimine e afirma que a mesma pessoa que matou Giovanna também foi responsável por assassinar a menina Rachel. “Temos um matador em série”, disse o defensor. Ele aguarda a decisão da Justiça, que ainda não decidiu se os seus clientes vão a júri popular.

O inquérito foi encerrado e encaminhado ao promotor Otacílio Sacerdote Filho, que denunciou os acusados. Para ele, há evidências que apontam a participação dos ciganos na morte de Giovanna, como as roupas da menina encontradas no terreno ao lado da casa dos acusados.

Sangue

Além disso, na residência da filha Vera, a polícia encontrou um saiote branco, sujo de sangue, um frasco contendo sangue misturado possivelmente com água, e um envelope em que estava escrito o nome completo de Giovanna. “Não tenho dúvida que esse crime foi cometido por mais de uma pessoa”, contou.

Otacílio também contou que roupas de Giovanna encontradas no tanque da casa dos ciganos foram encaminhadas para os laboratórios da Unicamp (Universidade de Campinas), para serem analisadas. “O laudo das análises ainda não ficou pronto”, informou.

Os pais de Giovanna não têm dúvida: “Para mim foram os ciganos que mataram a minha filha”, disse Cristina Aparecida Costa. A mãe de Rachel, Maria Cristina Lobo Vieira, prefere não comentar o assunto. Apenas disse não ter informação sobre o andamento das investigações.




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